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Covid-19: Relato da carmelitana no 'epicentro do epicentro' da pandemia

Covid-19: Relato da carmelitana no 'epicentro do epicentro' da pandemia

A Bióloga Celiane Cardoso Carvalho, Assistente de Pesquisa no New York Blood Center, morando há quase dois anos em Nova York (Manhattan), na segunda-feira (06), contou através do Whatsapp à colunista:

Nova Iorque, assim como muitas outras cidades nos EUA, está irreconhecível: digna daquelas produções Hollywoodianas de “cidade abandonada”. A cidade que nunca dorme está “ON PAUSE”. Foi assim que eles denominaram o “lockdown“, ou seja, o fechamento da cidade. O governo do estado de NY optou pelo termo para que os serviços essenciais (supermercados, farmácias, postos de combustíveis, bancos, etc) continuassem funcionando e garantindo o abastecimento de itens de primeira necessidade. Muitos entenderam que não haverá desabastecimento de alimentos então não há mais o pânico inicial para estocar comida, porém em muitos lugares faltam produtos de limpeza e higiene. As áreas de maior concentração de pessoas são as regiões hospitalares e em Manhattan, em especial, na área do Madison Square Garden onde as pessoas estão indo para serem testadas para o Covid-19.

No coração do Central Park, foi montado um hospital “de guerra”. Estão preparados para receberem todos, independente de possuírem ou não seguro saúde. Não existe portaria! Ou seja, estão mesmo esperando tempos muito difíceis... No mais, as pessoas circulam, na sua grande maioria, sozinhas realizando atividade física, caminhando com seus animais, realizando entregas e acima de tudo respeitando o distanciamento social. Nos supermercados e nos restaurantes (apenas para a retirada dos pedidos) as filas do lado de fora chegam a ser grandes, pois estão limitando e reduzindo o número de pessoas circulando internamente. Por outro lado, o número de infectados pelo Covid-19 sobe exponencialmente a cada dia e não apenas no grupo de risco (idosos e pessoas com doenças pré-existentes). Aproximadamente 20% dos infectados têm entre 20 e 44 anos e muitos estão morrendo. O estado de NY concentra hoje 40% dos infectados pelo vírus nos EUA. E apesar dos três estados vizinhos (Nova Iorque, Nova Jersey e Connecticut) terem fechado suas fronteiras, os números crescem não só aqui, mas também em outros lugares do país. Muitos nova-iorquinos, pouco antes do anúncio de “lockdown”, deixaram a cidade para se juntarem aos seus familiares em outros estados durante o período de isolamento o que elevou consideravelmente o número de infectados na Flórida, por exemplo. O governo de NY não está medindo esforços para mobilizar e aumentar o número de ventiladores para a cidade de NY em si e fará avaliações quinzenais para prorrogar ou não o tempo do isolamento. O que vem surtindo resultados positivos na velocidade com que a doença se espalha e consequentemente não sobrecarregando o sistema de saúde. Ver o ritmo desacelerado/pausado que o país como um todo se encontra me faz ter a sensação de estar num sonho; longo é verdade... essa semana completo três semanas em quarentena, mas prefiro focar na expectativa e ter esperança de que tudo terminará logo e bem!

Celiane Carvalho Cardoso.
Celiane Carvalho Cardoso.

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