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A igrejinha da Serra

A igrejinha da Serra

Como os leitores e seguidores já devem ter percebido, vira e mexe, são publicadas crônicas na coluna Nana de Minas e é com grande prazer que compartilho com vocês esses textos tão primorosos e com um conteúdo enriquecedor para a cultura carmelitana e mineira. Abaixo, segue mais essa bela crônica do querido Padre Marcos Leite Azevedo.

Em uma pequena nota, a professora Lucia Oliveira Carielo trouxe-me à memória, neste ano 2021, o centenário da Igrejinha de Nossa Senhora Aparecida, sobre a majestosa Serra da tormenta, em Carmo do Rio Claro-MG, nossa querida cidade natal.

Sempre ouvi muitas bonitas histórias sobre a nossa igrejinha, ponto de fé, lugar de promessas, em expressão de unidade com Deus. De fato, a Serra da tormenta é um lugar místico e muitas e muitas histórias são contadas deste presente de Deus ao povo carmelitano. Uma serra majestosa, com um rio a rolar aos seus pés, nos inspira, há séculos, aldeias e mais tarde viagens com parada obrigatória das bandeiras.

Até hoje, há quem olha para a serra e exclama: “quantas riquezas minerais, esconde serra!” Com sua linda paisagem, ao sopé da tormenta, Carmo do Rio Claro se faz Imponente e garbosa. Chego mesmo a me perguntar a relação do nome da nossa cidade Carmo do Rio Claro a esta grandiosa obra divina, Serra, que aos religiosos inspiraram o Monte Carmelo e se popularizou, por conta das tempestades, como Serra da Tormenta. Nossa Senhora do Monte Carmelo do Rio Claro foi este o primeiro nome de nossa cidade que com o tempo se resumiu em Carmo do Rio Claro. Isto se deve a devoção dos colonizadores que, por influência dos padres carmelitas, difundiam por onde passavam a memória de nossa senhora do Carmo. Diga-se de passagem o Rio tem uma cidade denominada Carmo e Minas tem outras cada qual adjetivada: do Rio Claro, do Cajuru, da Mata, de Minas, da Cachoeira, do Paranaiba.

A construção da Igrejinha no alto da serra tem todo sentido espiritual Mariano. Com belíssima Matriz dedicada a padroeira nossa senhora do Carmo a sonhada capela no Alto da Serra da tormenta se concretiza no pós - Guerra. Com certeza as agruras e aflições da primeira guerra mundial avivou os corações dos Carmelitanos nesta empreitada e sensibilizou os devotos a fazê-la como tributo de gratidão. Neste tempo em Aparecida o santuário ganhava relevo e impulso missionário; a devoção a Senhora da Aparecida era crescente. Os idealizadores dessa capelinha, sobre a alta montanha, não tiveram um outro título mais sugestivo que o da padroeira do Brasil. Sobre o monte, que inspira o monte carmelo (monte Carmelo fica no norte de Israel, junto do Mar Mediterrâneo. Esse monte tinha um altar dedicado a Deus e foi o palco de um grande confronto entre o profeta Elias os profetas de deuses falsos)ergueu-se a singela igrejinha de nossa Senhora Aparecida. A belíssima verde Serra de minha infância é paisagem inspiradora à linda composição do Professor Jairo Reis: “A Serra da Tormenta é uma esmeralda reluzente.

No colar de pedra da torrente. E o murmuroso rio que a teus pés vai a sonhar. Sob um céu azul nas noites claras de luar” Sim a nossa centenária Igrejinha, sobre a sagrada montanha é a expressão das preces de um povo fiel.

Entre tantas belezas naturais de nossa Carmo do Rio Claro, a belíssima Serra se faz cenário para esta obra, elegante ponto de fé do povo carmelitano. Sim uma fé que supera o maior rochedo, tido como intransponível e inacessível.

Hoje, atingir o pico da Serra da tormenta é atividade que demanda coragem, arte, gratidão, reconhecimento e sobretudo coração para proclamar as maravilhas de Deus. Resgatar a história da construção dessa igrejinha centenária é oportunidade de absorver a mística, a espiritualidade e a fé dos idealizadores, dos desbravadores, dos pioneiros, dos mantenedores, dos amantes desta pequenina e portentosa construção carregada de simbolismo no divino mistério.

São muitos os que aderem às fileiras desta magnífica obra: os carreiros transportando tijolos; os devotos levando a água e os materiais mão a mão, o esforço de conservação em diversas épocas, as pinturas, reformas e as restaurações empreendidas; os fiéis em procissões do dia nacional da padroeira; os pagadores de promessas, os esportistas terrestres e aéreos; os tecnicos como José Otávio de Souza; os proprietários de áreas e outros mais, os desafiados e desafiadores, os administradores públicos que tanto falaram e os que fizeram algo pelo ponto turístico religioso de nossa Carmo, a Carmo do Rio Claro- MG, donde se avista as duas marianas cidades Carmo e sua outrora Distrito, Conceição Aparecida.

Um lugar lindo que nos convida a estar com Deus, a amar e servir, zelando deste monumento tão querido por tantos…que o diga o Selminho “Anselmo Ulisses de Oliveira” que se mobilizou com os amigos da Serra para nos presentear com nobre atitude de zelo e valorização. Parabéns! Aos de ontem, gratidão, aos de hoje, perseverança, aos do amanhã, esperança.

 

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