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Franklin Silva: ressurgência de casos de covid-19 na Europa

Franklin Silva: ressurgência de casos de covid-19 na Europa

Às vésperas das festas de fim de ano, cidades e capitais do Brasil cancelam o réveillon e o carnaval também está ameaçado, pois o país está em alerta sob a sombra da variante ômicron. A colunista volta à Europa para buscar, desta vez, o relato do carmelitano Franklin Silva que vive na Irlanda desde 2013.

Ele é mestre em engenharia de software pelo Athlone Institute of Technology e doutorando em engenharia de software pela Technological University of Shannon: Midlands Midwest. Franklin conta, por meio de conversa por e-mail, o que viu o que está vendo e o que passou dentro da UTI lutando contra a covid-19.

Nos próximos dias, completa-se dois anos do primeiro caso identificado de COVID-19. Acreditava-se que teríamos alguns meses de instabilidade, com casos isolados e, a vida, ordinariamente, seguiria seu fluxo.

Muita coisa de lá para cá mudou, o que a gente conhece como normal está de cabeça pra baixo. A vida como era antes está diferente: atividades corriqueiras demandam mais energia e, hoje, são pequenos grandes desafios. Eu sei que tem sido difícil se manter forte e otimista nesse cenário. O que me consola é o fato de não estar sozinho nesta jornada, mas, infelizmente, alguns de nós tivemos que – e talvez iremos – vivenciar esse momento com mais dificuldades.

Abaixo, as observações e vivências de Franklin Silva, carmelitano que vive na Europa há oito anos.

Eu tinha convicção que por ser jovem, 30 anos, sem doenças crônicas, não fumante, vacinado e com uma vida saudável com práticas de atividades físicas regulares, a COVID-19 me afetaria de forma leve, e, se muito, teria um resfriado forte. Estava enganado. Sempre me cuidei, mas bastou um vacilo: um jantar entre amigos. Éramos 10, e 8 foram contaminados. Em pouco mais de uma semana, a minha vida mudou ainda mais. A COVID-19 foi um susto gigantesco. O sentimento de estar em um corredor a caminho de uma unidade de terapia intensiva é indescritível. Ter a experiência de uma UTI no currículo da vida não é agradável. Foram dias de medo e incerteza que vão sendo superados aos poucos. Quatro meses se passaram, e minha recuperação, mesmo que rápida, não está completa. Hoje sofro com a COVID longa, e embora não tenha a doença ou o vírus, os sintomas permanecem, e podem durar mais alguns meses.

O Brasil parece estar em uma situação confortável, mas a Europa e os EUA também estavam: a vida estava retornando com festas e abertura de bares e boates. A Europa, mais uma vez, é o epicentro global da pandemia com uma terceira onda da COVID-19 com a variante Delta e uma recusa vacinal muito grande, o que facilita, ainda mais, a circulação da Delta.

A Irlanda tem 93% da sua população adulta vacinada, o maior índice no continente europeu. Desde novembro, o aumento dos casos parece estar fora de controle, e isso preocupa as autoridades. A relação número de casos e mortes não é a mesma de janeiro e, apesar de menos óbitos, os hospitais estão saturados, os profissionais da saúde exaustos e novas medidas de combate à pandemia estão sendo estudadas.

A Áustria se tornou o primeiro país europeu a impor um novo confinamento após o início da vacinação. Há algumas semanas, o governo austríaco já havia tornado a vacinação obrigatória para todos, até o dia primeiro de fevereiro de 2022, e imposto confinamento para os não vacinados. A divulgação da notícia gerou inúmeros protestos pelo país.

Lituânia, República Tcheca e Eslováquia proibiram que pessoas não vacinadas tenham acesso ao setor de serviços incluindo hotéis, bares e restaurantes. Alguns lojistas e grandes redes de comércios, como lojas de matérias de construções e supermercados, apenas permitem a entrada de pessoas vacinadas ou que tenham se recuperado da COVID-19 nos últimos seis meses através de comprovação.

O surgimento de uma nova variante, a Ômicron, identificada inicialmente na África do Sul, durante a semana passada, trouxe mais incertezas, e, honestamente, desânimo. O mundo tem reagido com pânico. A Comissão da União Europeia anunciou a suspensão de viagens para países onde a nova variante foi detectada. Para os que já estão no caminho de volta para a Europa, será obrigatória a testagem e quarentena de 14 dias.

Portugal, com uma taxa de vacinação entre as mais altas do mundo, 92%, impôs uma semana de quarentena após as festividades do final do ano, além da volta da obrigatoriedade do uso de máscaras, a apresentação de certificados de vacina e testes obrigatórios em ambientes fechados.

A Alemanha, que teve novo recorde de infecções e com taxa de vacinação em 81%, pretende ampliar a vacinação e anunciou que vai negar a entrada de viajantes estrangeiros oriundos da África do Sul.

A França retomará o uso de máscaras em locais fechados e a ampliação da terceira dose da vacina contra COVID-19: a partir do dia 15 de janeiro de 2022, qualquer pessoa que não tenha recebido a dose de reforço, dentro de sete meses após a última vacina, não terá acesso a locais públicos fechados ou poderá viajar. O governo francês suspendeu os voos provenientes de Moçambique, África do Sul, Lesoto, Botsuana, Zimbabué, Namíbia e Essuatíni (antiga Suazilândia).

A Bélgica implantará restrições de voos provenientes da África Austral além da adoção de quarentena de 10 dias. O governo belgo, também, tornou mandatório o uso de máscara a partir dos 10 anos de idade.

A Itália decidiu, também, interditar a entrada de pessoas no país que estiveram nos últimos 14 dias na África do Sul, Botsuana, Zimbabué, Moçambique, Namíbia ou Essuatíni.

A Croácia, com 55% da população vacinada, determinou que a vacinação é obrigatória para que os cidadãos trabalhem, o que gerou uma onda de protestos contra a vacinação e esses descrevem a determinação como restrições às liberdades.

O Reino Unido voltará a obrigatoriedade do uso de máscaras em lojas e transporte público. O governo britânico implementou restrições de viagem para viajantes vindo da Botswana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia, África do Sul, Zimbabwe, Malawi, Moçambique, Zâmbia e Angola. Isso significa que os residentes britânicos e irlandeses que chegam ao país devem ficar em quarentena em um hotel aprovado pelo governo por 10 dias. Não residentes terão a entrada recusada. O Reino Unido juntamente com a Bélgica, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Itália e República Tcheca já confirmaram casos da variante Ômicron em seus territórios, contudo, na última segunda-feira, o Reino Unido já identificou casos em pessoas sem histórico de viagem, apontando para uma possível transmissão comunitária.

Os países com baixas taxas de vacinação como Bulgária e România, 29% e 43% respectivamente, veem suas taxas de mortes elevadas. A Organização Mundial de Saúde manifestou preocupação com o aumento de casos de covid-19 na Europa. Pode causar cerca de 700 mil mortes até março de 2022 se não forem tomadas medidas urgentes para conter o avanço da pandemia.

Eu não consigo ver a tão sonhada luz no fim do túnel. Contudo, não é o momento de deixar a peteca cair. A gente já avançou tanto, e essa luta continua. A vacina ajuda, mas não é suficiente. Ela tem salvado vidas. Devemos continuar, mesmo com a flexibilização em alguns lugares, com a máscara, com o álcool em gel e com o distanciamento social. Devemos, também, tomar a dose de reforço quando chegar a hora. Por enquanto eu desejo que possamos viver o resto da nossa jornada bem, em breve, com normalidade e alegria que merecemos.

 

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